quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Amores de papel...

Ilustração: Wallcoo
Acordou no meio da noite, sentou-se no chão do quarto e releu carta por carta. Cada uma trazia-lhe lembranças adormecidas que despertavam um turbilhão de sentimentos. Sorria, chorava, sentia, amava. Em um momento levou uma carta para perto do rosto na tentativa de tirar dali qualquer cheiro, qualquer toque, em vão. Então confortáva-lhe saber que ele algum dia tocara ali, que ele algum dia escrevera de coração aquelas palavras para ela, e isso ninguem poderiar lhe tirar. Aquele era o seu maior tesouro. Mergulhava naquelas palavras vez ou outra para nunca desacreditar do amor, para nunca esquecer que um dia amou e foi amada. Lia, relia,  revivia e sonhava. Era estranho perceber que tudo o que restou daquele amor foram palavras impressas em papéis amassados. Enchugou uma lágrima que caiu só pra ver o dia amanhecer, guardou as cartas na caixinha, encaixotou a saudade no coração e suspirou.

(Karla Thayse - 10/08/11)

"Ele não era um menino comum, isso eu soube desde que o vi.

Foi quando eu senti, mais uma vez, que amar não tem remédio."

[Caio F. Abreu]

5 comentários:

  1. muito lindo o teu blog cheio de coisas lindas, parabens, tbm queria te convidar pra dar uma passadinha no meu http://joselito-expressoesdaalma.blogspot.com/ se desejar segue lá, tudo de bom para ti

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  2. Vc cada vez mais inspirada e inspiradora florzinha...
    te admiro muito ... maravilhoso texto.
    Beijos mil ***

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  3. As ilustrações de Wallcoo com certeza combinam com teus escritos, mas realmente, cada palavra ou ideia que pões nas amarras do texto conduzem ao cenário exato: são os transportes de aromas, texturas, formas, etc que devemos sentir...

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  4. Lindo, doce, terno, cheio de encantos aqui
    é tudo assim... ♥

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  5. Oi, Karla, boa noite!!
    Sabe-se lá porque fazemos isso... Sabe-se lá porque guardamos uma pequena parte de um todo que se foi... Não penso que alguém retivesse uma janela de um trem que partiu, e a segurasse, sentado numa estação, cheirando-a e lembrando do trem... Mas alguém me dirá: Lello, é que pessoas são pessoas e trens são trens, meu filho... E eu direi: É verdade, mas eu só quis dizer que trens e pessoas que partem poderiam partir inteiros, e talvez devêssemos deixar os pedacinhos partir... Mas Freud não explica, Jung não explica, a carta está ali, não tem cheiro de perfume, mas sim, feita uma perícia, vai se encontrar lágrimas de épocas diferente, de anos diferentes. O pedacinho não vai com o pedação, e nós ficamos presos ao pedacinho que ficou, inteiros, inteiros, inteiros...
    Um beijo carinhoso
    Doces sonhos
    Leo

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"Soltava sorrisos ao vento e ouvia: Uma hora eles voltam pra você." [Vanessa Leonardi]