quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

In(Tensa)...

Ilustração: Lesja Chernish

Não gosto de nada pela metade. Dispenso meia-luz, ou é claridade total ou é escuridão. No meu céu não brilha meia-lua, ou ela vem cheia ou vem minguante. Nada de meia-calça, meias palavras, meia xícara de chá, meias verdades, meio-fio, meia-volta ou meio-termo. Não chegue ao meio-dia nem à meia-noite se tem o dia inteiro. Não me venha com um sim nem com um não ao meio. Não traga coração meio vazio ou meio cheio, não aceito um pão ao meio que dirá um meio amor... Não sou pela metade, sou um pote inteiro, encha-me por favor, seja lá do que for! Só não venha com insegurança pelo meio.
(Karla Thayse Mendes - 14/12/11)

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Das noites sem você...

Ilustração: Eva Armisen

Saudades de quando eu fazia do teu ombro o meu travesseiro.

(Karla Thayse Mendes – 11/11/11)


"E minha mão esquerda tocava
uma ausência sobre a cama."
 [Caio F.]

sábado, 10 de dezembro de 2011

O embarque...

Ilustração: Wallcoo

Naquela noite ela foi dormir com sede de felicidade. De manhã bem cedinho acordou ao som de Alegria, alegria no despertador. Carregada de fé, respirou fundo, levantou com o pé direito, escovou os dentes e cantarolou alguma coisa no banho. Tomou um copo de água gelada, e só – não costumava sentir fome pela manhã.
Subiu numa cadeira de madeira e apanhou em cima do guarda-roupa uma mala de couro, por sinal, bastante empoeirada. Sacudiu a poeira da mala e da alma e foi catando umas coisinhas pelo quarto: aquela coragem que há muito estava guardada na gaveta, uns vestidos, um casaco, o protetor solar, aquela blusa verde-esperança, uns sonhos de dentro do travesseiro, uma sandália confortável, o livro preferido, a caneta azul sem o bocal e o caderninho rosa.
Saiu de casa. No caminho observou as nuvens e como elas se mexiam devagar formando desenhos diversos, era o jeito lindo de o céu lhe dizer bom dia. Retribuiu com sorriso largo e pensou: - Preciso mesmo movimentar a minha vida e fazer desenhos. Lembrou da canção: “Caminhando contra o vento sem lenço e sem documento, no sol de quase dezembro, eu vou...” E ela foi, com passos largos e seguros rumo à estação, onde comprou a passagem para a Felicidade.
Havia chegado 50 minutos antes do horário previsto de saída, encostou a mala num canto e sentou-se. Deixaria pra trás tudo o que passou, o que sorriu, o que chorou, o que construiu e o que o tempo encaixotou. Ouviu o tic-tac do trem que só não soava mais alto do que o pulsar do seu coração. Embarcou... A viagem seria longa e suas expectativas tinham o comprimento daqueles trilhos de trem. 
Sabia que ele estaria a sua espera na estação de lá, sentado de frente para o mundo, com um raminho de flores em uma das mãos (a que não estivesse segurando o coração dela).  Sabia que assim seria... Desse jeito a vida lhe sorria e ela sorria de volta. Seguia viagem com “(...) os olhos cheio de cores, o peito cheio de amores (...)”, como dizia a canção. Tirou da mala o caderninho e a caneta azul, afinal, teria tempo de sobra para escrever as mais lindas poesias para ele até o desembarque do trem na estação de lá.
Lá descerá do trem e embarcará para uma nova e linda viagem a caminho do amor, ao lado dele e segurando firme a mão dele, aquela mão que lhe entregar o buquê, aquela que vai estar com cheirinho doce de flor.

(Karla Thayse Mendes – 08/12/11)


Trechos em itálico - canção Alegria, alegria de Caetano Veloso.


 “Estou na estação do amor,
trago flores nas mãos,
estou sentado de frente para o mundo,
esperando o trem da felicidade chegar –
e me trazer você!”

[Texto inspirado nos versos de Leo Quintana - Blog Rest Plus Une Seconde]


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Para fazer o amor florescer...

Ilustração: Wallcoo
Cuido do nosso amor com a delicadeza
de quem semeia flores raras.

(Karla Thayse Mendes – 13/11/11)