sábado, 10 de dezembro de 2011

O embarque...

Ilustração: Wallcoo

Naquela noite ela foi dormir com sede de felicidade. De manhã bem cedinho acordou ao som de Alegria, alegria no despertador. Carregada de fé, respirou fundo, levantou com o pé direito, escovou os dentes e cantarolou alguma coisa no banho. Tomou um copo de água gelada, e só – não costumava sentir fome pela manhã.
Subiu numa cadeira de madeira e apanhou em cima do guarda-roupa uma mala de couro, por sinal, bastante empoeirada. Sacudiu a poeira da mala e da alma e foi catando umas coisinhas pelo quarto: aquela coragem que há muito estava guardada na gaveta, uns vestidos, um casaco, o protetor solar, aquela blusa verde-esperança, uns sonhos de dentro do travesseiro, uma sandália confortável, o livro preferido, a caneta azul sem o bocal e o caderninho rosa.
Saiu de casa. No caminho observou as nuvens e como elas se mexiam devagar formando desenhos diversos, era o jeito lindo de o céu lhe dizer bom dia. Retribuiu com sorriso largo e pensou: - Preciso mesmo movimentar a minha vida e fazer desenhos. Lembrou da canção: “Caminhando contra o vento sem lenço e sem documento, no sol de quase dezembro, eu vou...” E ela foi, com passos largos e seguros rumo à estação, onde comprou a passagem para a Felicidade.
Havia chegado 50 minutos antes do horário previsto de saída, encostou a mala num canto e sentou-se. Deixaria pra trás tudo o que passou, o que sorriu, o que chorou, o que construiu e o que o tempo encaixotou. Ouviu o tic-tac do trem que só não soava mais alto do que o pulsar do seu coração. Embarcou... A viagem seria longa e suas expectativas tinham o comprimento daqueles trilhos de trem. 
Sabia que ele estaria a sua espera na estação de lá, sentado de frente para o mundo, com um raminho de flores em uma das mãos (a que não estivesse segurando o coração dela).  Sabia que assim seria... Desse jeito a vida lhe sorria e ela sorria de volta. Seguia viagem com “(...) os olhos cheio de cores, o peito cheio de amores (...)”, como dizia a canção. Tirou da mala o caderninho e a caneta azul, afinal, teria tempo de sobra para escrever as mais lindas poesias para ele até o desembarque do trem na estação de lá.
Lá descerá do trem e embarcará para uma nova e linda viagem a caminho do amor, ao lado dele e segurando firme a mão dele, aquela mão que lhe entregar o buquê, aquela que vai estar com cheirinho doce de flor.

(Karla Thayse Mendes – 08/12/11)


Trechos em itálico - canção Alegria, alegria de Caetano Veloso.


 “Estou na estação do amor,
trago flores nas mãos,
estou sentado de frente para o mundo,
esperando o trem da felicidade chegar –
e me trazer você!”

[Texto inspirado nos versos de Leo Quintana - Blog Rest Plus Une Seconde]


6 comentários:

  1. Deixo o convite para conhecer meu blog de medicina: http://gislenegr.blogspot.com/

    Muita paz, sempre!

    Gislene.

    ResponderExcluir
  2. Essas viagens rumo ao que e a quem amamos sempre valem a pena...
    Que o seu coração pulse ainda mais feliz... Você merece!
    Beijos com o meu carinho

    ResponderExcluir
  3. Bem, eu tenho temido mudar, Porque eu construí minha vida ao seu redor, Mas o tempo traz coragem; crianças envelhecem, Estou envelhecendo também.(sinopse do meu blog)
    Acessa o meu blog?
    "Crianças Envelhecem"

    http://criancasenvelhecem.blogspot.com/

    Espero a sua visita, se gostar do meu blog, segue lá, ficarei muito feliz.
    Desde já obrigada, tenha uma ótima semana.
    Atenciosamente Dinha".

    ResponderExcluir
  4. Oi, Karla, boa noite!!
    É isso que eu digo sobre talento! Quem tem, tem. Quem não tem, se esforça bastante. Eu sou um esforçado e fiz um poeminha, você é talentosa e criou uma história linda, que desdobra, define e complementa o poeminha.
    Lindo mesmo, gostei muito e agradeço de coração o carinho da citação.
    Um beijo carinhoso
    Leo

    ResponderExcluir

"Soltava sorrisos ao vento e ouvia: Uma hora eles voltam pra você." [Vanessa Leonardi]