terça-feira, 6 de setembro de 2011

A moça vazia...

Ilustração: Wallcoo
Adentrou a sala vazia e sentou-se na cadeira vazia para pensar na sua vida vazia. Tomava um café amargo e olhava o céu da janela, estrelado. Nem sempre fora assim, era uma moça cheia de coisinhas lindas mas foi esvaziando-se aos poucos. Foi deixando pedacinhos seus pela estrada, pedaçoes de amor, cacos de amizade, no caminho perdeu pedaços de coração, restos de mágoas, deixou cair saudades. Restou o vazio em si, e agora estava cheia de nada. Vazia de alegrias e de tristezas, nem chorava nem sorria. Pensava e bebia o café, levou até a boca a chícara vazia. Engoliu seco.

(Karla Thayse Mendes - 10/08/11)

"Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar
sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado
e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também."

[Caio F. Abreu]

6 comentários:

  1. Viver às vezes parece uma coisa muito solitária mesmo...

    Bom feriado, moça! Cheio de alegrias!

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  2. Oi minha querida!
    É, o vazio é o pior dos sentimentos.
    O vazio é a morte. Mas ela não permanece, pq não corresponde a nossa natureza. Mais cedo ou mais tarde, o café derrama na blusa, o telefone toca, acontece algo pra quebrar o silêncio, e a moça acorda e se percebe repleta de alguma coisa. Pode ser dor, pode ser desejo, o importante é quebrar a casca. E respirar fundo, e perceber que há vida, e aceitar que há mistério bom em tudo isso.

    Um grande beijo, seus posts são sempre lindos e me fazem pensar. ;]

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  3. Com tantas dores, com tantos desapontamentos, ela ficou vazia de tudo.
    Beijos menina linda.

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  4. Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Nayara e cheguei até vc através do Blog Viva e deixe viver. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir um blog do meu amigo Fabrício, que eu acho super interessante, a Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. A Narroterapia está se aprimorando, e com os comentários sinceros podemos nos nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs





    Narroterapia:

    Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.



    Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.

    http://narroterapia.blogspot.com/

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"Soltava sorrisos ao vento e ouvia: Uma hora eles voltam pra você." [Vanessa Leonardi]