sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Alma de papel...

Ilustração: Rafael Grasel
Eu no chão,
folha  rasgada, rasurada, amassada.
Espero que tu me aches.
Espero que tu me cates.
Desmancha-me.
Reclicla-me.
Renova minha essência em branca cor.
Alisa-me.
Rabisca teu amor em mim,
aumenta meu sorriso com um traço firme,
 lê toda a minha alegria nas entrelinhas.
 Dobra-me,
desdobra,
redobra,
 pinta-me,
escreva,
desenha,
rabisca,
enfeita-me...
Só não me soltes ao vento,
por favor, só não me soltes.

(Karla Thayse Mendes - 03/11/10)

22 comentários:

  1. Ah que lindo o desdobrar dessas palavras!
    beijos.

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  2. "Só não me soltes ao vento,
    por favor, só não me soltes."

    - Achei um amor!

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  3. Thayse do céu!!! Que poema mais lindo!!!

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  4. Lindo...tudo lindo aqui!
    Que texto adorável...
    "Rabisca teu amor em mim,
    aumenta meu sorriso com um traço firme,
    lê toda a minha alegria nas entrelinhas."
    É de emocionar!

    É maravilhoso estar aqui com vc!

    Beijos com sorrisos no seu coração!

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  5. Reconstruir a vida é difícil pra caramba.

    Bom fim de semana, Karla. É muito bom ter você por perto.

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  6. Me fez lembrar do "Caderno" e da "Aquarela"

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  7. Que poema rico e profundo! Assim que o li me senti arrebatado para a grandeza do seu sentimento puro e lindo!!! Obrigado por essa oportunidade... é maravilhoso te ler e entender, de certa maneira!!!

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  8. Oi, querida
    "Rabisca teu amor em mim"...
    É isso que Deus faz conosco pra quem possamos fazer com o semelhante que amamos também...
    Vou fazer uma semana de reflexões, a partir de amanhã, com textos sobre o silêncio, acompanha,tá?
    Saudações com votos de paz e alegria no fim de semana que se inicia.
    Bjs

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  9. Um papel em branco cheio de palavras encarnadas, palavras com leituras tantas, letras livres e leves.

    Que lindo!

    Beijos, querida!

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  10. Que lindo poema!
    Me identifiquei muito!

    Letícia

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  11. me alisa, me cuida.
    faz sua história em mim.

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  12. Eles podem fazer o que quiser, contando que toda a magia do amor não acabe... Ninguém quer que acabe. rs
    Belíssimo!

    Um beijo.

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  13. Que lindo esse remexe de sentimento!
    Esse desdobrar de emoções!

    Amei!

    Afinal, o que eu não amo aqui nesse cantinho heim?!

    (...)

    Bjus lindaaa!
    -Te espero la no meu...

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  14. Karla, bom dia!!!
    A beleza profunda desse poema nos atrai e ao mesmo tempo inquieta. Especialmente porque a folha possui um jogo duplo de interpretações de si mesma. É duas vezes frágil: frágil porque sabe que é e frágil porque quer ser. Assim, está no chão e pede a alguém especial que a ache, que não a solte ao vento; mas não há outro motivo para estar assim, no chão, senão porque alguém a tenha largado ao vento. Está rasurada e amassada, por isso quer ser reciclada, mas o que para ser dobrada e dobrada, e redobrada (o que vai amassá-la!), para ser escrita, desenhada e rabiscada (o que vai rasurá-la!). Quer tentar de novo processos pelos quais já passou, processos pelos quais já sofreu, e processos que ela própria incitou!
    O que dói a essa folha não é ser frágil duplamente. Ela quer ser frágil e impotente; não quer marcar o amor, quer ser marcada por ele; não quer mudar a essência do outro, quer vê-lo mudar a sua. Aceita tudo e não impõe nada...
    Seu único pedido, débil (e, talvez inútil, pois dar-se tanto à natureza humana é sentenciar-se ao desprezo) é não ser depois desprezada. Mas justamente, desde criança, o homem não sabe outra coisa que fazer com uma folha na qual tanto riscou, senão soltá-la ao vento...
    A não ser que essa entrega se desse, até por cansaço, a Alguém que não é humano...
    Beijo carinhoso
    Lello Bandeira

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  15. guriaa tow encantado!

    Poesia linda, livre, branca e pura - mais doce que papel, mas não qualquer papel... Encantando e admirado te sigo!
    Bjoo

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  16. e se a páginav virar, que seja para continuar escrevendo...

    lindo, lindo!

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  17. Adorei....vou colocar vc ESPECIALMENTE em meu blog td bem???

    Bjs....

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"Soltava sorrisos ao vento e ouvia: Uma hora eles voltam pra você." [Vanessa Leonardi]