quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Conto de fadas...

Ilustração: Irisz Agocs
Penso que se a Cinderela não tivesse perdido o sapatinho de cristal não teria vivido uma linda história de amor, se a Branca de neve não tivesse comido a maçã enfeitiçada não teria sido acordada com um beijo encantado e se a princesa tivesse sentido nojo de beijar o sapo ele não teria virado príncipe. Por isso não se irrite quando perder o ônibus, o homem da sua vida pode estar sentado no próximo. E se sua carruagem virar abóbora, faça um doce de abóbora bem gostoso. O encanto só termina à meia-noite se você quiser, se preferir pode viver feliz para sempre.

(Karla Thayse Mendes Mendes - 15/01/09)

Teu sorriso...

Quando sorris
parece que o céu abre os braços pra mim
me chamando pra abraçar.
O som do teu riso
mais parece a música das ondas de um mar.
Ah, se tu soubesses como esse teu sorriso me faz feliz .
Já tirei as pilhas do relógio
talvez assim eu consiga parar o tempo aqui,
congelar essa hora.
Te ver sorrir assim, para todo o sempre,
só pra mim.

(Karla Thayse Mendes - 15/01/09)

Gotas de Chuva no telhado...

Ilustração: Irisz Agocs
A Chuva que cantou a noite passada no meu telhado veio me falar em versos e rimas que tristeza de menina faz o céu todinho chorar e o Pinguinho que passou pela goteira segurou firme a minha mão e me ensinou que toda dor passa. Se as águas tudo podem lavar, oh querida Chuva eu te peço, limpa em mim toda réstia de agonia, lava essa crosta que cobre meu coração e me ensina o amor. Faz chover de mim gotas de felicidade, pra meu sorriso escondido poder sair de trás das minhas cortinas cinzentas.

(Karla Thayse Mendes - 15/01/09)

O Menino pescador...

Ilustração: Irisz Agocs
A jangada saiu de manhã bem cedinho. No meio do Mar, onde um fio de águas atravessa o horizonte, o Menino pescador jogou sua rede. Um risco de Sol já tocava seu rosto e a Brisa travessa soprou um carinho, fazendo voar seu chapéu pra bem longe. Esperou enquanto cantarolava uma canção com um Pássaro azul. E quando sentiu pesarem os braços, encheu o peito e puxou com força. Não veio peixe de lá... o Mar mandou seu tesouro maior. E não é de tesouros perdidos de piratas que eu falo. A rede do Menino veio cheia de paz, a paz que habita o silêncio dos mares. Então ele colocou tudo na sacola de couro e distribuiu mundo afora.

(Esta é uma história baseada em sonhos reais. E não é conversa de pescador não... pode perguntar ao Cavalo marinho, ele estava lá.)

(Karla Thayse Mendes - 15/01/09)

A Menina cheia de asas...

Ilustração: Dudadase
Eu tenho asas. É, dessas que os anjos têm. Vôo pelo céu todinho estrelado, danço uma valsa com a Brisa da manhã, escorrego no Arco-íris mais colorido, brinco de pega-pega com os Pássaros... e quando estou cansada, descanso no colo de uma Nuvem. Segura na minha mão, vem! Não tenha medo. Eu te levo pra ver o céu, onde a magia transborda em imensidão. Todas as estrelas te esperam e a lua quer abençoar você e eu. O céu é todo de nós dois... Azul e infinito, como nosso amor.

(Karla Thayse Mendes - 15/01/09)

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O Coração da menina...

Ilustração: Irisz Agocs
O Coração da menina foi ao fonoaudiólogo aprender a falar direito.
- Diga meu caro, qual o seu problema?
- Bem Doutor, é que tem coisas que eu não sei como falar direito... é, tum-tum... bem, certas coisas eu não consigo falar.
- Vamos ver...
O Dr. examinou e depois de vários testes concluiu que o problema dele não era coisa de voz.
- Olha só rapaz, posso te garantir que sua voz está perfeita. Eu não posso te ajudar muito mas conheço alguém que pode. Aqui está o endereço.
Então o coração entristecido caminhou pela Avenida Esperança até chegar no endereço indicado.
Chegando lá viu uma placa bem grande: CHAVEIRO.
Coração ficou confuso, não entendeu nada, mas mesmo assim resolveu entrar.
O velhinho simpático veio cheio de ferramentas, cerrou o cadeado e as correntes que sufocavam o pequenino. Ele pagou o serviço com o abraço mais carinhoso que tinha no bolso e saiu satisfeito.
E depois daquele dia, o Coração da menina falou pelos cotovelos, falou tudo que sentia... tudo que chorava, tudo que sorria.

(Karla Thayse Mendes - 15/01/09)



Durma meu bem...

Ilustraçaõ: Irisz Agocs
Repousa tua cabeça no meu colo que eu te faço cafuné. Pode sonhar... Eu fico aqui sentado olhando você dormir. Teus olhos fechados me envolvem com a mais perfeita paz, o som da tua respiração é o que me embala e ao tocar seus cabelos posso alcançar o céu com a ponta dos dedos. Dorme assim, eu tomo conta de você. Sou teu anjo, teu amigo, teu amor. E de manhã quando acordares, estarei aqui te olhando, esperando teu primeiro sorriso, aquele que ilumina meus dias, clareia... Brilha em mim, minha luz.

(Karla Thayse Mendes - 12/01/09)

Castelos de areia...

Numa dessas tardes construí um castelo de areia. Lindo... Fiz durante horas, um punhado de areia que foi crescendo, crescendo, tomando forma. Caprichei em detalhes, torres, pontes, escadarias, muros... E quando o Sol batia reluzia brilho em cada grão. Sentei-me ali e admirei-o por horas. Até a lua parou pra ver. E logo de manhã, o mar de lá avistou, veio uma onda grande e desmanchou tudo. Chorei... sofri... Nunca mais construí castelos de areia, tenho medo de outras ondas.

(Karla Thayse Mendes - 12/01/09)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A Estrela da Menina...

Ilustração: Dudadase
Estrela cintilante escondida atrás de um pedacinho de nuvem chorou... chorou. Entre tantas outras no céu todinho estrelado sentiu-se só, foi ficando cadente... caiu. E a menina que olhava da janela viu aquele brilho rasgando o céu. Admirou, sorriu. Fechou os olhos com fé e fez um pedido. Toda noite estrelas morrem no céu e renascem nos sonhos de meninas.

(Karla Thayse Mendes - 12/01/09)

A Borboleta e o Beija-flor

Lagarta pequenina no casulo fechado sonhava com um pedacinho de asa, queria voar. Tanto desejou, metamorfose veio. Lagartinha deu lugar à Borboleta colorida, tão linda, tão livre e quase tão feliz quanto tanto sempre quis. Borboleta cheia de asas e cheia de medo de voar. Desconfiava do vento, tinha medo de cair no mundo, medo de machucar as asas e não voar outra vez. Então ela nunca dançou no céu, nunca foi Borboleta de verdade. Um dia veio o Beija-flor, de longe achou que ela fosse Rosa colorida, a mais linda que seus olhos haviam tocado...ele a amou. Um beijo e a Borboleta quis ser verdadeiramente Flor. Então seu coração floresceu e o amor a fez voar tão alto, muito mais do que suas asas poderiam fazer.

(Karla Thayse Mendes - 25/07/08)

A Menina dos pés descalços


Gostava de sentir a terra entre os dedos. O mundo podia alcançar seus pés e sentia-se livre no chão feito passarinho que voa no céu. Cirandava cirandinhas, coloria amarelinhas, chutava bolas de sabão. Um dia calçaram-lhe sapatos e a menina perdeu-se no caminho. Não sentia mais seus passos, via o mundo de cadarços, cheio de nós. Então ela despiu os pés, descalça novamente nunca mais perdeu-se. Seus pés sabiam mais caminhos que os seus sapatos.

(Karla Thayse Mendes - 25/07/08)

Ela é quase Flor...

Ilustração: Anne Julie
Ela é quase flor...
O silêncio dela é tão alto que os passarinhos ouvem de longe
e vem pousar em seu ombro.
Seu brilho renova as tardes.
Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho:
1 abridor de amanhecer,
1 encolhedor de rios,
1 esticador de horizontes.
Ela desregula a natureza:
Seu olho aumenta o poente,
borboletas dançam nos seus cabelos,
estrelas fazem música no seu sorriso.
Ela desenha o cheiro das árvores.
No chão de sua voz há uma primavera.
Seu destino é um poente de andorinhas.
Um fim de mar colore seus horizontes.
Ela não abre o esplendor da manhã com faca,
ajeita as nuvens nos olhos.
O dia se apropria da luz que irradia dela.
Ela não grita suas qualidades,
exála-as levemente, como a flor.
Pode alguém enriquecer a natureza com a sua simplicidade?
Ela pode.

( Inspirada nos versos de Manuel de Barros - Livro das ignorãnças -
Karla Thayse Mendes- 22/08/06)

Travessuras de uma Andorinha...

Ilustração: Irisz Agocs
Andorinha voou devagarinho pelo céu azul sem fim. Pegou carona no sopro de um vento e rodopiou no horizonte enquanto o sol sorria raios de luz ao seu redor. Pequenina travessa trocou pedacinhos de nuvens de lugar e fez desenhos de algodão no céu. Contou a uma nuvem uma história triste e ela chorou pinguinhos de chuva no sertão. Nas armas dos homens ela plantou sementes e atiraram-se flores nas guerras. Pousou no ombro do menino que chorava, cantarolou uma canção baixinho e ele sorriu esperança. Voou bem alto, fez cosquinhas na estrela mais bonita e ela gargalhou um feixe de luz iluminando o céu todinho. Perto dali, a Lua enciumada ficou minguante, tristinha, parou de brilhar. Andorinha sorridente voou até lá, tocou o coração da Lua com a pontinha da asa, então ela cresceu no céu, fez-se cheia e brilhou tão alto que o Mundo nunca mais "ouviu escuridão". Passarinho pequenino faz carinho no Mundo, muda tudo de lugar, e o Mundo gigante fica quietinho pra ver o encanto da pequena que voa devagarinho, valsando pelo céu e nunca para de cantar.

(Karla Thayse Mendes - 21/12/07)

Moreninha do Vento...

Ilustração: Anne Julie
Moreninha do cabelo cacheado abre a janela ainda de manhazinha. O Vento acorda pra ver seu encanto e apaixonado faz-se manto ao seu redor. Acaricia de leve seu rosto, se perde nas curvas dos seus cabelos e esquece do mundo todo. Perto dali as pipas já não voam mais, o barco à vela já não chega ao cais e o cata-vento do menino para de girar. Todo dia de manhã é assim, Moreninha ama o Vento da janela e o Vento a ela. Seu João leva a filha ao doutor: " Essa menina diz que namora com o Vento, pode? ". Vestem-lhe uma camisa de força e prendem-na numa sala gelada, arcondicionadamente insuportável. Moreninha triste padece. Lá fora o Vento saudoso destelha a casa de barro e derruba folhas de árvores inocentes. A culpa é desse povo que diz: "o que os olhos não vêem o coração não sente". Sente sim, o coração da gente não precisa de olhos pra amar. O amor é sujeito simples e abstrato, tão fácil de entender e não se pode ver, apenas sentir. E lá fora o Vento ainda sopra chorando baixinho...

(Karla Thayse Mendes - 25/07/08)

A Menina do coração de mármore...

Ilustração: Irisz Agocs
Cabelos compridos, sorriso escondido e um coração de pedra. Pedacinhos de mármore aglomerados no seu peito sussurravam um "tum-tum" abafado numa cantiga sem rima. Seu olhar gritava um medo de viver. Brincava de esconde-esconde com a Felicidade. Nunca havia feito sala para o Amor e jamais havia sentido borboletas no estômago. Uma dessas manhãs ela abriu a janela e um Raiozinho de sol invadiu sorrindo. Veio Menino jardineiro, cravou machadinho afiado no coração da menina, sem pedir licença quebrou cada pedacinho de pedra e lá dentro plantou uma flor amarela. Regou, cuidou... a florzinha germinou cada dia mais perfumada. Menina do coração florido criava jardins por onde passava. Nunca mais chorou, aprendeu a sorrir e pela primeira vez deixou o amor entrar. E do jardim do Menino ela foi a mais bela flor. Viveram em pétalas de felicidade, assim, juntinhos... pra sempre e sempre mais.

(Karla Thayse Mendes - 30/07/08)

Saudade de Mariazinha...

Ilustração: Irisz Agocs
Esse coração apertado tá um tanto assim aperriado, faz "tum-tum" descompassado com saudade de você. Nossa casinha virou breu sem a luz do teu sorriso e o que era paraíso virou mar de solidão. A fulô do vasinho da janela parou de florescer, passarinho na gaiola já não canta sem você e minha alegria se escondeu de mim. Ahh Mariazinha, fico doido pra dormir, é a hora em que eu te tenho pertinho assim, dentro do meu sonho, abraçadinha aqui, sorrindo pra mim.

(Karla Thayse Mendes -12/01/09)

O Menino que coloriu o Mundo...

Ilustração: Irisz Agocs
O menino da rua de trás queria ser pintor. Um certo dia acordou e decidiu pintar o Mundo. Saiu com o pincel entre os dedos brincando com a magia das cores. Pediu ao Vento um pouco da sua cor e pintou a pobreza do mundo todo... Na face do menino que chorava pintou um sorriso de palhaço feliz... Coloriu os desertos de verde e pintou a violência com as tonalidades do amor... Pintou de esperança o coração da gente... Pintou as grades com as cores da liberdade... Coloriu o choro da menina com as cores do canto de um pássaro... Pintou o medo com as cores do pôr-do-sol e tudo que estava borrado no Mundo, ele lavou com as águas das chuvas... Pintou o chão com as cores do céu e as pessoas aprenderam a voar com os pés no chão. E de noite, quando a Lua veio fechar os olhos do Sol, o menino travesso que pintou o mundo do jeito que quis voltou pra casa e dormiu satisfeito. O Mundo todo enfeitado, deu um sorriso escancarado... Sorriso de Mundo feliz.

(Karla Thayse Mendes - 27/07/08)