segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Moreninha do Vento...

Ilustração: Anne Julie
Moreninha do cabelo cacheado abre a janela ainda de manhazinha. O Vento acorda pra ver seu encanto e apaixonado faz-se manto ao seu redor. Acaricia de leve seu rosto, se perde nas curvas dos seus cabelos e esquece do mundo todo. Perto dali as pipas já não voam mais, o barco à vela já não chega ao cais e o cata-vento do menino para de girar. Todo dia de manhã é assim, Moreninha ama o Vento da janela e o Vento a ela. Seu João leva a filha ao doutor: " Essa menina diz que namora com o Vento, pode? ". Vestem-lhe uma camisa de força e prendem-na numa sala gelada, arcondicionadamente insuportável. Moreninha triste padece. Lá fora o Vento saudoso destelha a casa de barro e derruba folhas de árvores inocentes. A culpa é desse povo que diz: "o que os olhos não vêem o coração não sente". Sente sim, o coração da gente não precisa de olhos pra amar. O amor é sujeito simples e abstrato, tão fácil de entender e não se pode ver, apenas sentir. E lá fora o Vento ainda sopra chorando baixinho...

(Karla Thayse Mendes - 25/07/08)

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"Soltava sorrisos ao vento e ouvia: Uma hora eles voltam pra você." [Vanessa Leonardi]